Último trimestre: o que acertar nas cobranças antes do fim do ano
De outubro em diante a agenda enche e a cabeça some. É o trimestre em que o autônomo aceita serviço demais, cobra de menos e chega em janeiro sem saber quanto entrou — exatamente quando a declaração e o cansaço pedem o número pronto.
Setembro ainda dá tempo. Uma hora, uma lista, três decisões. O resto do ano fica mais leve.
1. Limpe o que já está velho
Antes de aceitar o rush, olhe o que já deveria ter caído. Dívida de junho não fica mais fácil em novembro: o cliente entra em modo fim de ano e some melhor.
No fechamento — o mesmo de como fechar o mês — separe o a receber em duas pilhas:
- ainda dá para entrar neste ano — lembrete, acordo, cobrança formal;
- já é prejuízo — baixa, para parar de contar dinheiro que não existe.
O critério está em quando a dívida vira prejuízo. Levar uma lista inflada para dezembro só atrapalha o humor e o limite do MEI, que conta o que entrou, não o que você ainda sonha receber.
2. Confira o teto com três meses pela frente
Se você é MEI, outubro é o último momento confortável para ver se o ritmo do ano estoura o limite de faturamento. Dezembro descobre tarde: o serviço grande de novembro já foi aceito.
A conta é a de sempre — acumulado até agora, projeção até dezembro. Se aperta, a decisão é sua: recusar volume, adiar um contrato para janeiro, ou conversar com o contador sobre sair do MEI. O que não dá é fingir que dezembro é outro ano.
3. Reajuste quem ainda está no preço antigo
Cliente mensal e cliente antigo carregam o valor de janeiro. Se você não avisou ainda, o reajuste para o ano que vem precisa sair agora — trinta dias de antecedência, no mais tardar em novembro, senão você passa janeiro inteiro no preço velho. O texto está em como aumentar o preço.
Aviso em setembro ou outubro é normal. Aviso em 28 de dezembro é surpresa, e surpresa cancela.
4. Não comece o rush a crédito
O trimestre pede entrada. Material sobe, a agenda aperta, e o cliente que “acerta depois da festa” em janeiro já era um risco em julho. A regra de pedir sinal vale o dobro agora: quem não paga a entrada em outubro não vai priorizar você em janeiro.
Serviço extra que nasce no meio do rush — o que cresceu no escopo — também precisa de aceite na hora. Em dezembro você não tem energia para cobrar acréscimo de memória.
5. Deixe o ano seguinte fácil de fechar
O número de janeiro sai de graça se o registro existir. Toda cobrança com cliente, valor, vencimento e o que já entrou. Recibo de dinheiro em espécie. Parcial anotado, não “mais ou menos pago”.
Quem faz isso chega em quanto você recebeu no ano com a soma pronta. Quem não faz passa a primeira semana de janeiro no extrato, misturando Pix de cliente com transferência da conta pessoal.
Uma hora nesta semana
- Liste o que está aberto e decida o destino de cada item velho.
- Some o acumulado do ano, se for MEI.
- Escreva o aviso de reajuste para quem precisa recebê-lo em outubro.
- Exija entrada nos serviços novos que entrar daqui para frente.
O Mivor é o lugar dessa lista no celular: o que venceu, o que ainda vence neste trimestre, o que já entrou. O rush do fim do ano não some; some só a parte em que você cobra de memória, no meio da entrega, quando já é tarde.