Inadimplência

Depois de quanto tempo a dívida de um cliente vira prejuízo

Toda cobrança tem um ponto em que continuar custa mais do que receber. Poucos autônomos calculam esse ponto — e o resultado é uma lista de dívidas antigas que ninguém cobra de verdade, mas que também ninguém encerra. Elas ficam ali, inflando o “total a receber” com dinheiro que não vai entrar e pesando na cabeça toda vez que você abre a lista.

A curva é conhecida: quanto mais velha, menos provável

Não existe número mágico, mas a experiência de quem cobra é consistente:

  • até 15 dias — a maioria paga com um lembrete;
  • entre 15 e 60 dias — ainda paga, geralmente com parcelamento;
  • depois de 90 dias sem nenhuma resposta — a chance cai muito, e a cobrança passa a depender de formalização.

O que muda a curva não é o tempo em si: é o contato. Cliente que responde, mesmo prometendo e falhando, continua sendo cliente que paga. Cliente que parou de responder há dois meses já é outro tipo de caso — veja o passo a passo para quando o cliente some.

Quanto custa cobrar

Cobrança não é de graça, e é aí que a conta vira. Some:

  • seu tempo: cada mensagem, ligação, conferência de valor. Meia hora por semana durante dois meses é um dia inteiro de trabalho;
  • custos diretos: cartório, correio, taxas do Serasa ou do SPC, deslocamento;
  • o trabalho que deixou de fazer: as horas que você não vendeu porque estava atrás de dinheiro velho;
  • desgaste: cobrar mal-humorado contamina o atendimento dos clientes bons.

Compare esse total com o valor devido. Se cobrar R$ 400 custa meio dia do seu trabalho mais R$ 80 de cartório, a matemática está dizendo alguma coisa.

Três perguntas que decidem

1. Eu consigo provar? Sem registro do combinado e da entrega, qualquer caminho formal fica frágil. Se não há prova, o realismo manda tratar como aprendizado.

2. O cliente tem como pagar? Não confunda quem não quer com quem não pode. Para quem não pode, parcelamento longo costuma render mais que pressão.

3. Eu quero esse cliente de volta? Se sim, o caminho é acordo. Se não, o caminho é formalizar e encerrar.

Dar baixa não é perdoar

Encerrar internamente é uma decisão de gestão: você para de contar aquele valor como receita futura e devolve seu tempo ao trabalho que paga. A dívida não deixa de existir — mas a lei dá um prazo para cobrar, e depois dele a dívida não pode mais ser exigida na Justiça. Esse prazo muda conforme o tipo de serviço e o documento que você tem; confirmar isso é assunto para um advogado.

Na prática, o que muda é o seu controle: a cobrança sai da lista de “vou receber” e vira histórico. Sem essa limpeza, seu total a receber mente para você — e planejar em cima de número mentiroso é pior do que não planejar.

Um critério simples para adotar hoje

Defina uma régua e siga sem discutir com você mesmo:

Idade da dívida O que fazer
1 a 15 dias Mensagem de lembrete, tom leve
16 a 30 dias Cobrança direta com valor e data
31 a 60 dias Proposta de parcelamento com prazo final
61 a 90 dias Cobrança formal por escrito
Acima de 90 dias Decidir: formalizar (se há prova e valor justifica) ou dar baixa

O ganho não está na tabela em si — está em não precisar decidir caso a caso, com culpa, toda vez.

Prevenir vale mais do que qualquer régua

Três hábitos derrubam a inadimplência mais do que qualquer técnica de cobrança:

  • entrada antes de começar, principalmente para cliente novo;
  • valor e vencimento combinados por escrito;
  • contato antes do vencimento — o lembrete de três dias antes é o que mais economiza cobrança depois.

E, na base de tudo, saber de cabeça o que está em aberto e há quantos dias. É para isso que serve um controle no celular como o Mivor: a lista com o que venceu, o quanto falta receber de cada cliente, e a cobrança pronta para enviar antes de a dívida envelhecer.


Este texto trata da decisão prática de cobrar ou não. Prazos legais e cobrança na Justiça devem ser confirmados com um advogado.