MEI

Como acompanhar seu faturamento para não estourar o limite do MEI

Estourar o limite de faturamento do MEI não é um problema de dezembro: é um problema que começa em março e ninguém percebe. Quando o ano fecha, a conta já está feita — e o que sobra é sair do MEI, pagar a diferença de imposto e virar empresa (ME), tudo com custo e prazo.

O que evita isso não é conhecer o valor do teto. É saber, todo mês, quanto você já faturou no ano.

Primeiro: qual é o teto hoje

O limite anual do MEI é definido por lei e já mudou algumas vezes — e houve, nos últimos anos, discussão pública sobre novos valores. Por isso não adianta decorar número de blog: confirme o valor vigente no Portal do Empreendedor ou com seu contador antes de fazer qualquer conta.

Dois detalhes que costumam passar batido:

  • quem abre o MEI no meio do ano tem o limite proporcional aos meses restantes, contados a partir do mês de abertura;
  • o que conta é a receita bruta — o total recebido pelos serviços, sem descontar despesa, material ou combustível.

O único número que você precisa acompanhar

O acumulado do ano até o mês atual. Com ele e o teto vigente, você tem duas informações decisivas:

  • quanto ainda cabe — teto menos acumulado;
  • o ritmo — acumulado dividido pelos meses já passados, multiplicado por doze. Se essa projeção passa do teto, você está a caminho de estourar mesmo que o mês atual pareça tranquilo.

É a conta que muda decisões: aceitar ou não aquele contrato grande de outubro, antecipar ou adiar um recebimento, começar a se preparar para virar empresa.

Como montar o acompanhamento

Não precisa de sistema. Precisa de constância:

  1. Feche o mês somando o que efetivamente entrou (é o mesmo levantamento do relatório mensal de receitas).
  2. Some ao acumulado do ano.
  3. Calcule a projeção e compare com o teto vigente.
  4. Anote junto o que está em aberto, porque o que você tem a receber vira faturamento assim que entrar — é receita já contratada.

Cinco minutos por mês. O erro comum é olhar só o mês corrente: mês bom parece inofensivo isolado, e é a soma que estoura.

Quando o número começa a apertar

Se a projeção passa do teto, existem caminhos legítimos — e um ilegítimo.

Legítimos:

  • planejar o recebimento: um serviço entregue em dezembro pode ter vencimento acordado em janeiro, e a receita entra no ano seguinte. Isso é combinar prazo de pagamento, coisa normal do negócio;
  • conversar com um contador sobre migrar para Microempresa (ME) no Simples Nacional. Migrar não é fracasso: é o sinal de que o negócio cresceu;
  • fazer a conta do custo real da mudança antes de recusar trabalho — em muitos casos, faturar mais compensa mesmo com carga maior.

Ilegítimo: deixar de registrar o que recebeu, ou pedir para o cliente pagar “por fora”. Além do risco fiscal, você destrói o único controle que te diz como o negócio vai.

O ganho invisível

Quem acompanha o acumulado deixa de tomar decisão no escuro em dezembro. Passa a saber, em julho, que o ano vai fechar apertado — com cinco meses para escolher o caminho, conversar com contador e negociar prazos com calma.

E a base desse acompanhamento é a mesma do controle de cobrança: o registro de cada serviço, valor, vencimento e pagamento. Se isso já existe, o número do mês sai pronto. É o que o Mivor mantém no seu celular — cobranças, recebimentos e o que ainda está em aberto.


Conteúdo informativo, não orientação contábil. O valor do teto, as regras de saída do MEI e os prazos mudam — confirme no Portal do Empreendedor e com seu contador.