Organização

Como fechar o mês quando você trabalha por conta

Quem tem carteira recebe o mês pronto no holerite. Quem trabalha por conta precisa montar o mês: o que entrou, o que ainda está na rua, o que já era para ter caído e não caiu. Sem esse fechamento, todo mês parece “movimentado” e nenhum diz se foi bom.

A rotina semanal de cobrança evita o calote no dia a dia. O fechamento mensal é outra coisa: é a foto. Quinze a vinte minutos, no primeiro dia útil do mês seguinte — segunda cedo, antes de a agenda nova engolir você.

Os quatro números que importam

Anote só isso. O resto é detalhe.

1. Quanto entrou neste mês. Soma do que de fato caiu na conta (e do dinheiro em espécie). Não é o que você faturou: é o que você recebeu. Pix de cliente, boleto compensado, parcela de cartão. Transferência sua entre contas não entra — o motivo está em separar o dinheiro do trabalho.

2. Quanto ainda tem a receber. O combinado que não caiu, incluindo o saldo de pagamento parcial. Este é o número que paga o mês que vem, se você cobrar.

3. Quanto está atrasado. Fatia do item 2 cujo vencimento já passou. É o único que pede decisão, não só conferência.

4. Acumulado do ano (se você é MEI). O item 1 somado aos meses anteriores. É o que alimenta o relatório mensal de receitas e o limite de faturamento. Sem ele, janeiro vira arqueologia de extrato — o cenário de quanto você recebeu no ano.

Quatro linhas num caderno já bastam. O erro é misturar os quatro num único “mais ou menos uns dois mil”.

O que fazer com cada um

O que entrou. Separe o que é seu: DAS, reserva de material, o valor que você tira de salário. Se o mês recebido não cobre o salário que você definiu, o problema pode ser preço, volume ou atraso — e só os quatro números dizem qual.

O que falta receber. Coloque na agenda da primeira semana: lembrete do que vence agora, cobrança do que já venceu. Não deixe para “quando der”.

O que está velho. Tudo acima de 60 dias: acordo, cobrança formal ou baixa. Manter na lista sem decisão infla o “a receber” com dinheiro que não vai entrar e deixa o fechamento mentiroso. O critério está em quando a dívida vira prejuízo.

Os erros que bagunçam o fechamento

  • Contar serviço feito como dinheiro recebido. Faturado não pago é expectativa, não caixa.
  • Esquecer o dinheiro em espécie. É o pedaço que mais some, e o que mais falta no fim do ano.
  • Dar baixa no valor cheio de um parcial. O mês “fecha” bonito e o saldo reaparece como surpresa.
  • Comparar com o mês passado inteiro no dia 6. Um mês em curso só tem parte dos recebimentos; o anterior, inteiro, sempre ganha. Compare até o mesmo dia, ou espere o mês fechar.

O calendário curto

  • Dia 1 (ou o primeiro útil): os quatro números.
  • Na mesma hora: as mensagens do que está atrasado.
  • Até o dia 10: o relatório mensal de receitas do MEI, se for o seu caso — não se envia a lugar nenhum, mas precisa existir, preenchido até o mês seguinte ao das entradas.

Se no dia 1 a lista está desatualizada, o fechamento vira caça no WhatsApp. Aí os vinte minutos viram duas horas, e você desiste no mês seguinte. A disciplina que evita isso é registrar na hora, o ano inteiro.

A foto precisa estar em algum lugar

Caderno, planilha ou celular: o suporte importa menos do que a data em que você senta para fazer. O que um app muda é não ter que somar na mão — as cobranças pagas no mês são o item 1; as em aberto são o item 2; as vencidas são o item 3.

O Mivor monta essa foto no celular, inclusive em relatório, para você não descobrir no dia 1 que passou o mês inteiro sem olhar. O dinheiro continua na sua conta; o que o fechamento entrega é a resposta à pergunta que o extrato sozinho não dá: o mês foi bom, ou só foi cheio?